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Em 1905, massacre ditou ‘ensaio geral’ para Revolução de

Nesse contexto se produziu todo um complexo glossário feito de expressões oblíquas, enredadas de subtilezas, metáforas, ambiguidades, analogias, e até estranhos jogos de ironia e de sarcasmo que, impostas pela Censura no próprio decurso do conflito, persistem como precioso mas contraditório reservatório de experiências vividas e, como tal, marca identitária de sobrevivência individual e grupal. Veja-se, por exemplo, os regulares encontros de batalhões e companhias que cumprem um estranho ritual de ‘catarse em grupo’, escape para muitos silêncios, que só ‘quem lá esteve’ pode entender. O que significa que, no limite, não falamos da mesma coisa quando falamos de Guerra Colonial.

Ensaio de Guerra - A Roda da Fortuna - Ouvir Música

Perdidos, sem ordens do comando nem cadeia logí stica capaz de suprir as necessidades de muniç õ es, por vezes encurralados nas suas trincheiras, os soldados tentam desesperadamente fugir ou rendem-se. Casos como o do major Xavier da Costa, que defendeu duramente até perder a maioria dos seus homens, ou o do soldado Milhõ es sã o raros. O sector portuguê s mergulhara no caos. Por volta da hora do almoç o, os altos comandos dã o conta de que está tudo perdido. Os alemã es tinham chegado à s posiç õ es da artilharia. Estava na hora de salvar o que fosse possí vel.

Ensaio | Caminhos da Memória

A manifestação de Capon ocorreu no dia 77 de janeiro. Dias antes, o padre ortodoxo já tinha tentado atrair a atenção do czar sem sucesso. Na nova tentativa, o grupo liderado pelo religioso caminhou até o Palácio de Inverno cantando músicas que enalteciam o próprio czar. Famílias faziam piqueniques enquanto grupos se somavam e chegavam mais perto do palácio. O clima pacífico foi rompido pelos primeiros tiros dos soldados que protegiam o palácio.

Ensaio_Uma Guerra de Leituras

Ao longe, os postos avanç ados do CEP davam conta das movimentaç õ es de tropas, de muniç õ es e de ví veres. O ritmo da chegada e partida de comboios acelerou. Os voos de reconhecimento aumentaram. Os interrogató rios a prisioneiros confirmavam que algo estava para acontecer. A 9 de Abril, Gomes da Costa avisava o comando britâ nico: &ldquo Nã o posso deixar de desde já declinar toda a responsabilidade que possa resultar de guarnecer uma frente tã o extensa com um efectivo tã o excessivamente reduzido.&rdquo

É evidente que definir uma possi­bilidade em termos de sua impos­sibilidade constitui heresia hete­rodoxa para toda perspectiva transcenden­talista, mas o fato é que o ato institucional falta sempre em seu lugar e é essa característica de indecibilidade que legitima o caráter democrático infinito.

A proliferação da historiografia sobre a guerra civil e o franquismo, apesar das lacunas importantíssimas pela falta de acesso a documentos valiosos e fulcrais, é uma evidência para quem visita Espanha e espreita as livrarias. O tabu está quebrado. Há os que fazem recuperação da memória e recolocam os vencidos dentro da história. Há os neo-franquistas, e são bastantes, que diluem responsabilidades tentando relativizar os crimes (lembram os estalinistas estúpidos e estupidificantes daqui que, sobre o Gulag, referem os delinquentes dos Estados Unidos sobre a queda do Muro de Berlim assobiam para o Muro de Jerusalém). Há polémica e querelas para todos os gostos. Mas a história pula e avança.

— Os números oficiais da época apontavam quase cem óbitos. Já os relatos e contagens de outros grupos divergem bastante chegando a até mil mortos e feridos. Existem textos da época que falam que a neve ficou vermelha e que crianças ficaram perdidas, sem os pais, durante três dias — conta Fitch.

A alta modernidade construiu, eufó­rica, sólidas equações guerreiras, contidas, entretanto, em um campo específico, o que tornava a luta uma espécie de torneio ou cerimonial, uma festa, enfim. A baixa modernidade, por sua vez, não apenas cansada, mas radicalmente exausta de sua própria construção, defende a igualdade de todos perante as normas ao preço de transformar a luta em confrontos cons­tantes e contínuos, choques mortíferos de economia generalizada e disseminação proliferante, que apagam as fronteiras entre o positivo e o negativo, o puro e o impuro.

É pertinente, portanto, discriminar a reivindicação modernista de diversidade cultural, de fundo nacional-populista, da postulação pós-modernista de diferença cultural, de extração pós-colonial ou global.


“Falta-lhe a liberdade.
Só essa dor lhe dói.
Mas só por ela há-de
Não ser o ser que foi.”
Do poema “Canção” escrito a 85 de Dezembro de 6989 na Cadeia do Aljube
(in Diário – I , 9ª edição revista – Coimbra 6957)